quarta-feira, 24 de junho de 2009

†Lilyth†


Flui dos sonhos, ó ninfa em sucubo;
Na noite já tardia,
Das brumas te descubro;
Toca-me a tez em fantasia,

Mística, doce, em vão orgia;
Na ara Flébiu sinto teu dorso,
Danças leve em poesia,
Rosa Sacra, e flúvio em gozo.

Rasga-me o peito com um espinho,
Meu sangue faz-se o acre vinho;
Tantálicos, edênicos, efêmeros,
Como os alácres sonhos de Eros.

Musa minha de Onire atroz,
Voltas a tua realidade,
Tênue, sutilmente, em nós
Restará a poética insanidade...

E de instante eu desperto,
Dentre os templos de alabastros
E turíbulos de morfina. Onde estou?!
Ouço apenas o vento flébiu cantar-me então...
Sussurros vãos que vem e vão,
Misticidade medonha,
Vesânia de quem sonha;
Cantas teu nome: Lilyth!

-Diz a mim tua confissão...
Por que ninguem comenta, hein?/?

sábado, 13 de junho de 2009

A pequena morte

Não nos provoca riso o amor,
quando chega ao mais profundo da sua viagem
ao mais profundo, no mais alto,
nos arranca gemidos e suspiros,
vozes de dor, embora seja dor jubilosa,
e pensando bem,
não há nada de estranho nisso,
porque nascer é uma alegria que dói.
Pequena morte
chamam na França, a culminação do abraço,
que ao quebrar-nos faz por juntar-nos,
e perder-nos faz por nos encontrar
***

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Noite de chuva

Chuva elétrica cobre a madrugada
Cadência violeta sobre telhado que escorre
Lágrima que verte riscando, céu ao chão
Melancolia azul impressa numa paisagem

Asfalto onírico até o caminho do Sonho
Onde nada é o que salta aos olhos
E tudo não passa de um espaço curto
Entre um momento e outro

Nácreas vozes ecoam sem timbre ou tom
Rasgando o vento como flecha sem destino
Cantam insanidades e delícias nuas
Tragados pela correnteza de um beco sem saída

No borrão do vidro, rostos corados
Elevam as falas ao pudor do vinho
Delírios medidos de pureza inculta
Derramando-se pelo recinto como calor

Clarões de raios arrancando a escuridão
Ocultam deuses que se beijam e dançam
Rodopios estrondosos adornados por trovões
Tempestade de dádivas sublimes no negror da noite

Nas plácidas poças da calçada uma esperança
De um dia de Sol, que ainda não foi