Chuva elétrica cobre a madrugada
Cadência violeta sobre telhado que escorre
Lágrima que verte riscando, céu ao chão
Melancolia azul impressa numa paisagem
Asfalto onírico até o caminho do Sonho
Onde nada é o que salta aos olhos
E tudo não passa de um espaço curto
Entre um momento e outro
Nácreas vozes ecoam sem timbre ou tom
Rasgando o vento como flecha sem destino
Cantam insanidades e delícias nuas
Tragados pela correnteza de um beco sem saída
No borrão do vidro, rostos corados
Elevam as falas ao pudor do vinho
Delírios medidos de pureza inculta
Derramando-se pelo recinto como calor
Clarões de raios arrancando a escuridão
Ocultam deuses que se beijam e dançam
Rodopios estrondosos adornados por trovões
Tempestade de dádivas sublimes no negror da noite
Nas plácidas poças da calçada uma esperança
De um dia de Sol, que ainda não foi
sexta-feira, 12 de junho de 2009
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